Foto: arquivo pessoal

Ela ficou uma ano inteiro sem cliente e foi justamente o que proporcionou uma guinada na carreira. Saiba o que a maquiadora Mariana Paulino está fazendo para se destacar no concorrido mercado da maquiagem social

Por Emilia Brito

Em 2015, a então enfermeira sanitarista Mariana Paulino se viu em um ambiente de trabalho nocivo, onde o assédio moral havia se tornado prática constante.

Insatisfeita, marido desempregado e temendo perder o emprego também, decidiu buscar o famoso ‘plano B’. A maquiagem, paixão que tinha desde criança, foi a escolha.

Incentivada por uma amiga que já trabalhava como maquiadora profissional, a primeira providência foi investir em um curso. A intenção, porém, era ter a maquiagem como segunda renda.

Mariana investe em cursos desde quando decidiu atuar como maquiadora. Um deles, foi o da Kryolan, na Argentina. Foto: arquivo pessoal

No Instagram pessoal (o único que tinha naquele momento), Mariana começou a divulgar fotos das maquiagens que fazia nela mesma e nas aulas. Foi assim que conseguiu a primeira cliente.

‘Uma colega viu. Ela ia ser madrinha e me perguntou: Mari, quer me maquiar? Eu disse: quero sim!’.

Logo depois, outra amiga a contratou para fazer a maquiagem de formatura. Só que, dessa vez, a amiga precisava que Mariana fizesse o cabelo também.

‘Percebi que precisava fazer um curso de penteado. Como ainda faltava um mês para o dia da formatura, deu tempo’. A partir daí, Mariana perguntava às clientes qual penteado queriam, assim, poderia fazer o curso adequado para atendê-las.

Foto: arquivo pessoal

Muita coisa aconteceu desde o primeiro curso, lá em 2015. A carreira na enfermagem ficou pra trás e o que era pra ser uma segunda fonte de renda se tornou a única.

Hoje, Mariana vive da maquiagem, mas não é fácil. Ela chegou a ficar um ano inteiro sem nenhuma cliente.

Conheci a história da Mariana por um comentário que ela fez em um grupo do Facebook. Fiquei curiosa, queria saber mais sobre a pessoa que tinha tudo pra desistir, mas não apenas persistiu, como deu uma guinada na situação.

Confira um pouco de como Mariana Paulino está construindo a carreira que tem tudo para crescer ainda mais!

Foto: Alexandre Maciel

Autorresponsabilidade

Depois de um ano sem cliente, Mariana foi atender uma noiva em um hotel. Notou que estava bem movimentado e foi conversar com a pessoa da recepção.

Realmente, aquele era um sábado atípico: doze noivas estavam se arrumando no hotel. Mas, em um sábado normal, eles recebem, em média, seis noivas, o que não é um número irrisório.

‘Fiquei pensando e vi que tinha alguma coisa errada. Não é que não tinha casamento acontecendo, o problema estava mim. Eu é que tinha que encontrar essas noivas. Não adiantava eu reclamar que o mercado está banalizado. Se tem um monte de gente maquiando, por que eu não estou também?’.

A partir daí, a guinada começou.

Já falamos aqui no SoulMake sobre a importância de assumir a responsabilidade sobre a própria carreira em vez de cair na armadilha de colocar toda a ‘culpa’ no outro – nos cursos online, no fulano que cobra menos, na entrada de novos maquiadores no segmento.

Essas são questões comuns em diversas profissões e, enquanto é fundamental advogar por um mercado mais ético e organizado, não dá pra esperar que alguém resolva todos os problemas para, então, tomar alguma atitude.

Foto: arquivo pessoal

Concentre-se naquilo que o seu público procura

‘Comecei a me colocar no lugar da cliente e percebi que uma pessoa só vai me contratar se me vir fazendo uma maquiagem que ela goste e queira’.

Parece óbvio, mas isso ajudou Mariana a mirar no público que ela realmente precisa atrair – noivas, madrinhas, formandas… Ela procurou parcerias para construiu um portfólio direcionado ao perfil dessas clientes, criou um Instagram profissional separado do pessoal e tem tentado trabalhar uma presença digital coerente com o segmento no qual ela escolheu atuar.

Afinal, se o seu mercado é o de maquiagem social, de que adianta encher o Instagram com foto da caveira que você treinou na vizinha ou do machucado que você fez na testa do sobrinho pra festinha de Halloween da escola?

Proatividade, melhoria contínua e aprender sempre

Mariana já gostava dos vestidos do ateliê ‘O Amor é Simples’. Quando soube que abririam uma unidade no Rio, entrou em contato e propôs uma parceria. ‘Fui cara de pau mesmo, fui atrás. Mas me acolheram superbem’.

Da parceria nasceu um editorial que turbinou ainda mais o portfólio de divulgação de Mariana e ainda a fez perceber outra coisa: ela precisa tirar fotos com mais qualidade.

‘Uma coisa leva à outra. Eu vi que as fotos que eu fazia das clientes não eram boas. Eu já tinha ‘ring light’, mas investi em um celular melhor. Também comecei a acompanhar o fotógrafo Cauê Moreno e pegar várias dicas. Já me inscrevi no curso que ele vai dar aqui no Rio, em julho’.

E não parou por aí: Mariana está pesquisando sobre marketing digital e redes sociais. ‘Além de fazer boas fotos das minhas clientes pra colocar no Instagram, eu tenho que saber usar a ferramenta. Meu próximo passo é conseguir me organizar para escrever posts melhores’.

Foto: arquivo pessoal

Metas

‘Aprendi que tem que estabelecer metas. Ano passado, quando eu estava sem cliente, minha meta era atender pelo menos uma noiva em 2019. Eu tinha que me virar e fazer isso acontecer’.

Meta superada: este ano, ela já tem mais de 10 agendamentos. Para 2020, a meta é atender 40 noivas. Afinal, ‘o ano tem 52 semanas, né?’.

As fotos identificadas como ‘arquivo pessoal’ são de Mariana Paulino, com trabalhos da maquiadora.

Confira também nossa entrevista exclusiva com a maquiadora Elaine Offers, uma das mais requisitadas de Hollywood.